Conselhos Bíblicos para um novo ano

Mais um ano se encerra e outro se aflora para vivenciarmos tempos bons e ruins, alegres e tristes, de vitórias e derrotas. Esta é a vida de todos nós. Para que tenhamos um ano mais consistentes em meio a essas variações incertas da nossa existência quero neste último devocional de 2018 chamar sua atenção para três conselhos bíblicos práticos.

Ame a Deus por inteiro (Lucas 10.27). Como fundamental em sua caminhada no ano nascente priorize não só em seu discurso, mas em seu dia a dia uma prática de amor grato ao nosso Deus. Amar é querer estar próximo sem desejos interesseiros, é querer servir por prazer e gratidão, é querer adorar e louvar pelo mais simples privilégio de ser tocado pelo Espírito, é querer cantar e vibrar pela imensa salvação. Amar é um anseio pela presença gloriosa e santificadora do Pai em nosso coração. Ao mesmo tempo em que o amor é um sentimento que brota em nosso ser é também uma maturidade espiritual construída pela prática de amar, ou seja, por atitudes intencionais de querer ser íntimo de Deus. Quanto mais você quiser amar a Deus mais Deus te capacitará e impulsionará para que isso aconteça, não necessariamente nesta ordem, pois essa dinâmica é algo complexo de entender, mas nítida quando experimentamos no nosso cotidiano.

Seja fiel exclusivamente de Deus (II Timóteo 2.12-13). Um segundo ponto importante para que possamos estar firmes em qualquer situação que a vida nos apresente é a perseverança para com as Palavras ensinadas por Deus. Quando cremos naquilo que aprendemos por meio das Escrituras, esse aprendizado gera em nosso íntimo um senso de fidelidade cada vez maior para com o nosso Salvador. Ser fiel pode ser perigoso se essa fidelidade não for exclusivamente dedicada aos ensinamentos celestiais. Quando queremos ser fiéis a pessoas independentemente de Deus acabamos negando ao Senhor e acreditando piamente que estamos fazendo o que é certo ao demonstrarmos fidelidade a alguém, mesmo que este indivíduo esteja desprezando as verdades bíblicas. Quando somos fiéis a Deus seremos fieis as pessoas ao ponto de abandoná-las quando estas de forma rebelde negam ao Pai. Amar alguém é deixa-la só para que perceba que o mundo não gira ao seu redor, mas ao redor de Cristo que é fiel a si mesmo.

Invista com generosidade no Reino (Mc 12.44). Em um mundo capitalista queremos muitas vezes negociar com Deus. Por ignorância bíblica podemos acabar querendo contribuir financeiramente para com a obra de Deus esperando receber muito mais do que damos. Esta mentalidade de negócio está sutilmente em nossos desejos quando ofertamos. Por isso, precisamos sondar nosso coração para ensiná-lo a confiar no Provedor e não na provisão, pois assim, poderemos contribuir com generosidade e amor, sem ficarmos aflitos se faltará alguma coisa em casa e sem também esperarmos uma recompensa do alto. Quando ofertamos sabemos que aquilo que damos é de Deus e é para Deus, assim nosso coração se alegra e pessoas são abençoadas. Pensando como a viúva pobre contribua de forma mais generosa, não entregue ao Senhor uma quantidade irrisória daquilo que você tem ganhado pela bondade Dele. Se quer uma medida básica de quanto deve ser sua oferta comece pensando em 10%, assim como os judeus ofertavam, quem sabe o ano que vem sua oferta não seja como a da viúva que superou os judeus em sua liberalidade.

 

 

 

 

Paz de espírito

“A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito

se alegrou em Deus meu Salvador” (Lucas 1.46-47).

Você com certeza já deve ter ouvido a expressão “paz de espírito”, que muitas vezes é utilizada para enfatizar uma realidade de quem tem uma vida bem-sucedida e tranquila mesmo em meio a tamanhos desafios, que nossa caminhada por aqui nos apresentam. Neste sentido, podemos pensar em termos bíblicos o que de fato é ter paz de espírito e no que esta condição humana reflete para aqueles que dela experimentam.

A jovem Maria quando pronunciou esta frase maravilhosa de seu canto de adoração não estava vivenciando um momento de paz em sua vida, ao contrário, ela acabara de receber a notícia de que seria mãe e que este a quem carregaria em seu ventre seria um ente santo gerado de forma sobrenatural. Toda esta novidade com certeza trouxe uma reviravolta em sua cabeça, pois o que as pessoas iriam entender desta experiência? Como José, seu marido, iria lidar com isso? E seus parentes e os religiosos? Com certeza, paz, era tudo o que ela não experimentaria nos próximos dias.

Mesmo em meio a tamanha ansiedade e incerteza a jovem moça é capaz de dizer uma frase de tamanho impacto para a nossa vida hoje, uma canção que exalta ao Senhor pela sua grandeza, e assim, desfruta de um sentimento de alegria e segurança no mais íntimo do seu ser. Maria nos ensina que a paz de espírito não é derivada de uma vida de conquistas, mas de uma vida de quebrantamento e humilhação.

O cântico é vívido hoje quando entendemos que por mais que desfrutemos das atrações deste mundo jamais seremos intimamente transformados se não abrirmos mãos de tudo o que somos e temos para confiar na adoração a Deus por sua manifestação gloriosa em Cristo Jesus. Somente quando nosso coração se unir ao de Cristo, por meio da expressão do louvor e da prática da abnegação, é que sentiremos a sensação de realização plena como humanos. A paz é fruto do amor ao Deus todo poderoso e não ao amor as bênçãos que ele nos dá.

Se você ainda está louvando a Deus por aquilo que recebeu dele este ano talvez não tenha experimentado a verdadeira paz de espírito, pois ela é fruto do louvor e gratidão por quem Deus é não pelo que ele nos dá diariamente pela sua graça. Louvar a Deus pelo que ele nos dá é bom e justo, mas o privilégio da paz de espírito é exclusividade de quem adora a Deus por quem ele É em sua grandeza e misericórdia. Maria experimentou dela em meio ao sofrimento, mas nós ainda oramos para que Deus nos livre da dor e não para que nos encontremos com ele em nossa adoração.

Só teremos o privilégio da paz de espírito quando entendermos que tudo nesta vida é secundário perante a intimidade com o Senhor. Que tudo que eu tenha, faça ou conquiste é adicional e não essencial ao encontro com o Pai. Que neste natal o Cristo que trouxe esta experiência extraordinária para Maria também se achegue ao seu coração.