Paz de espírito

“A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito

se alegrou em Deus meu Salvador” (Lucas 1.46-47).

Você com certeza já deve ter ouvido a expressão “paz de espírito”, que muitas vezes é utilizada para enfatizar uma realidade de quem tem uma vida bem-sucedida e tranquila mesmo em meio a tamanhos desafios, que nossa caminhada por aqui nos apresentam. Neste sentido, podemos pensar em termos bíblicos o que de fato é ter paz de espírito e no que esta condição humana reflete para aqueles que dela experimentam.

A jovem Maria quando pronunciou esta frase maravilhosa de seu canto de adoração não estava vivenciando um momento de paz em sua vida, ao contrário, ela acabara de receber a notícia de que seria mãe e que este a quem carregaria em seu ventre seria um ente santo gerado de forma sobrenatural. Toda esta novidade com certeza trouxe uma reviravolta em sua cabeça, pois o que as pessoas iriam entender desta experiência? Como José, seu marido, iria lidar com isso? E seus parentes e os religiosos? Com certeza, paz, era tudo o que ela não experimentaria nos próximos dias.

Mesmo em meio a tamanha ansiedade e incerteza a jovem moça é capaz de dizer uma frase de tamanho impacto para a nossa vida hoje, uma canção que exalta ao Senhor pela sua grandeza, e assim, desfruta de um sentimento de alegria e segurança no mais íntimo do seu ser. Maria nos ensina que a paz de espírito não é derivada de uma vida de conquistas, mas de uma vida de quebrantamento e humilhação.

O cântico é vívido hoje quando entendemos que por mais que desfrutemos das atrações deste mundo jamais seremos intimamente transformados se não abrirmos mãos de tudo o que somos e temos para confiar na adoração a Deus por sua manifestação gloriosa em Cristo Jesus. Somente quando nosso coração se unir ao de Cristo, por meio da expressão do louvor e da prática da abnegação, é que sentiremos a sensação de realização plena como humanos. A paz é fruto do amor ao Deus todo poderoso e não ao amor as bênçãos que ele nos dá.

Se você ainda está louvando a Deus por aquilo que recebeu dele este ano talvez não tenha experimentado a verdadeira paz de espírito, pois ela é fruto do louvor e gratidão por quem Deus é não pelo que ele nos dá diariamente pela sua graça. Louvar a Deus pelo que ele nos dá é bom e justo, mas o privilégio da paz de espírito é exclusividade de quem adora a Deus por quem ele É em sua grandeza e misericórdia. Maria experimentou dela em meio ao sofrimento, mas nós ainda oramos para que Deus nos livre da dor e não para que nos encontremos com ele em nossa adoração.

Só teremos o privilégio da paz de espírito quando entendermos que tudo nesta vida é secundário perante a intimidade com o Senhor. Que tudo que eu tenha, faça ou conquiste é adicional e não essencial ao encontro com o Pai. Que neste natal o Cristo que trouxe esta experiência extraordinária para Maria também se achegue ao seu coração.